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Música e Quadrinhos
O Gerard veio ao Brasil com o My Chemical Romance como parte da sua turnê e quando ele esteve em São Paulo, nós passamos um dia inteiro no estúdio, conversando sobre música, quadrinhos e o que o futuro nos reserva.  Levei ele à Comix pra que ele comprasse Quadrinhos brasileiros, como Os Piratas do Tietê do Laerte, Estórias Gerais do Wellington Srbek e do Flavio Colin, Os Irmãos Grimm, recentemente publicado pela Desiderata e a trilogia do Diomedes do Mutarelli.  Nosso encontro foi ótimo e nós dois aprendemos muito um com o outro. Eu lhe dei ainda todos os 10 Pãezinhos e ele me levou ao show de segunda feira. Eu fui muito bem tratado por toda a banda (todos fãs do meu trabalho no Umbrella Academy) e foi emocionante quando o Gerard dedicou a música " Teenagers" para mim na frente de cinco mil pessoas. Eu precisava agradecer de alguma forma. Escolhi fazer o que eu faço melhor. Obrigado.   
Escrito por Gabriel Bá às 12h20 [ ]
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Parceiros

Fazer Histórias em Quadrinhos é uma profissão solitária. A produção demora e, na sua maioria, é feita por uma pessoa só. Quando não é feita por uma pessoa só, ainda assim pode ser sólitária, pois cada um trabalha do seu canto, na sua casa, e a comunicação, hoje em dia, é feita somente por email ou telefone.
Que diferença faz trabalhar junto com alguém.
Essa diferença pode ser boa ou pode ser ruim. Se você trabalha num estúdio onde cada um tem uma prioridade profissional, ninguém tem o mesmo ritmo e vocês só dividem o mesmo espaço, acho que a produção de HQ, que precisa de disciplina e concentração, sofrerá e você pode resolver voltar a trabalhar sozinho. Por outro lado, se você trabalha com pessoas que querem o mesmo que você, ou que querem com a mesma seriedade coisas diferentes, e o foco principal do local de trabalho é estimular a produção um do outro, aí você percebe logo de cara como o trabalho muda, ganha vida e energia, somente pelo contato com outros artistas.
Eu e o Bá trabalhamos muito bem juntos. Já sabemos bem o que queremos da vida e, principalmente, do trabalho, e nenhum dos dois está de brincadeira no mundo dos Quadrinhos. Levamos nosso trabalho a sério, talvez até demais, mas é nessa seriedade que nós acreditamos estar nossa maior afinidade. Já trabalhamos com outras pessoas, não somente por email e telefone, dividindo o mesmo estúdio, e não deu muito certo. Só por ser diferente da relação que temos um com o outro, qualquer outra relação de trabalho já parece que está dando errado, mesmo que dê certo de uma maneira diferente. Para mim, faz toda a diferença do mundo trabalhar todos os dias com o Bá. A gente conversa, planeja, discute e briga para poder contar nossas histórias da melhor maneira possível. Acho que demos sorte, acho que artistas não se entendem sempre, nem com facilidade, mas vale a pena encontrar alguém pra fazer o pingue pongue criativo do dia-a-dia.
Ainda acho que estamos numa boa fase do quadrinho nacional pela variedade e quantidade de autores nacionais produzindo. Principalmente os jovens, começando com vontade e com entusiasmo. Fico pensando sobre esse negócio de encontrar parceiros quando penso nas dificuldades de fazer Quadrinhos, que são muitas, e como é muito mais difícil atravessar essa enorme rebentação do mundo dos quadrinhos, do mercado e do aprendizado profissional quando você está trabalhando sozinho no meio das ondas. Já vi muitos ficarem perdidos nas ondas, desistirem dos quadrinhos e voltarem para a praia, e fico pensando se fica mais fácil atravessar se você tiver alguém nadando com você.
Escrito por Fabio Moon às 14h35 [ ]
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A Pesquisa Toda Boa e o Expresso 0000
É olhando que se aprende. É copiando o outro que aprendemos a ser nós mesmos, a ver o que funciona conosco, no que somos parecidos com o outro e no que somos diferentes, únicos. A pesquisa é muito importante na hora de criar uma história. No início, você conta a sua história. Sua mesmo, sobre você e seu mundo. Pra isso, você precisa somente viver, ouvir e ver as coisas que estão à sua volta e colocá-las no papel. Primeiro você conta a sua opinião, dá a sua visão das coisas. Depois você começa a incluir outras pessoas, a opinião delas e no que ela difere da sua. Mas vai chegar uma hora que você precisará ir mais longe do que a sua casa ou o seu bairro, ou até mesmo a sua cidade, para fazer sua pesquisa. Sua experiência não bastará mais. Vai chegar a hora que você precisará ir além de você mesmo.  Ler é uma ótima maneira de pesquisar sobre qualquer assunto que você pode querer tratar na sua história. Você pode ler tanto livros mais científicos, específicos sobre esse ou aquele assunto, livros teóricos, assim como você pode ler biografias, revistas, jornais e, por fim, ficções. Lendo tudo isso você vai conhecer todas estas pessoas e ter a visão do mundo delas: jornalistas, cronistas, romancistas. Mas na hora de contar a sua história, é a sua visão no papel. Sem a visão dos outros, talvez sua visão não enxergasse tão longe ou com tantos detalhes, pois não saberia nem pra onde olhar. Você nunca vai encontrar algo que não sabe que está procurando. Se você não estiver preparado, o inesperado passará despercebido por você. Outra maneira de pesquisar é viajar, ir de encontro ao seu assunto, bater de frente com aquela terra longínqua, com aquele povo estranho, com os outros diferentes de você. Pode ser uma viagem à zona sul se você mora na zona oeste, assim como pode ser uma viagem à antiga capital do Sacro Império Romano Germânico, no coração da Alemanha. Às vezes, você pode aproveitar uma viagem que você já vai fazer ou já está fazendo e sugar informações do mundo à sua volta e usar isso em uma futura história, pois o contador de histórias está sempre coletando e armazenando informações, aonde quer que ele esteja. Outras, você planeja uma jornada em função do seu interesse, de um assunto que você quer aprofundar. Não deixa de ser uma viagem de trabalho, pois você não está indo pra descansar, mas pra prestar atenção e documentar o máximo de material possível. O que for melhor para a história.  Este ano, a pesquisa para uma de nossas histórias nos levou a Salvador. Foi de pura e completa iniciativa própria que decidimos uma data e compramos passagens para ir pra lá e nos aprofundarmos no assunto que nos interessava. É para uma história que nem começamos a fazer ainda, nem sabemos muito quando é que vamos começar, só sabemos bem por alto o que queremos contar, mas essa viagem seria imprescindível para a profundidade da nossa narrativa. Mesmo com um certo grau de organização e planejamento, nunca poderíamos antecipar que, justo este ano, nossa viagem cairia no meio do carnaval em Salvador. Como fomos pra pesquisar um evento que acontece uma vez por ano, não teve como fugir.  Salvador nos ofereceu muito mais do que precisávamos para nossa história, mas tudo ficará guardado para futuros contos em outros momentos. Quando você se propõe a se aprofundar sobre um assunto, sempre acaba ganhando mais do que pediu. Conosco, acabamos ganhando 4 dias de carnaval no meio de milhões de pessoas nas ruas. Num destes dias, ganhamos até uma entrada para o camarote Expresso 2222, do Gilberto Gil e, em meio a muita bebida e comida, celebridades e investidores, uma menina me parou no meio da escada e disse "desculpe te parar assim, no meio da escada, mas não resisti. Sei que aqui você deve estar passando completamente incógnito, mas eu queria dizer que adoro o seu trabalho" e continuou ainda dizendo que queria abrir uma loja de quadrinhos em Salvador. Quando nos propusemos a viajar até Salvador, queríamos ver as pessoas de perto, ouvi-las falar e cantar na beira do mar. Vimos milhões de pessoas falando e cantando e, no meio desta multidão, uma delas veio pra mim e disse que adora o nosso trabalho. 
Escrito por Gabriel Bá às 22h51 [ ]
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